Transtorno obsessivo compulsivo em animais e não humanos

O Transtorno obsessivo compulsivo (TOC) é um transtorno psiquiátrico crônico causado por obsessões ou compulsões capazes de causar sofrimento aos pacientes humanos e não-humanos. Com relação à neuroanatomia, existem fortes evidências de que alterações em circuitos centrais, mais especificamente em gânglios de base, lobos frontais e tálamo, desempenham papel importante no seu surgimento. 

Os sinais obsessivos compulsivos dos humanos podem ser explicados à luz da biologia evolutiva e compreendidos quando comparados aos comportamentos dos animais não-humanos. Segundo Oliveira, Rosário e Miguel (2007), estes são divididos em:

  1. rituais de limpeza grooming, que servem para realizar a limpeza, manutenção do pelo e no controle da temperatura corpórea e de infecções. Animais com Toc podem apresentar um excesso desse ritual e podem inclusive ferir a pele, como o comportamento de catação excessiva nos primatas;
  2. sinais de verificação – checking – a verificação e guarda de limites são os sinais mais frequentes. São sinais de zelo com o próprio corpo. A vantagem seria diminuir as invasões de predadores;
  3. rituais de colecionismo- representa o acúmulo de objetos, sendo a vantagem o fato de estar sempre preparado para uma adversidade.

As estereotipias do TOC são caracterizadas pela repetição de movimentos que, aparentemente, não têm qualquer função ou valor adaptativo. Os padrões rígidos e repetitivos de andar de um lado para o outro em zoológicos, cavalos que mordem as baias, macacos com excesso de catação, aves que arrancam as penas, automutilações em geral são rituais compulsivos desempenhados para aliviar a ansiedade em certas circunstâncias (BRANDÃO; GRAEFF, 2014).

As estereotipias foram descritas pela primeira vez em seres humanos com distúrbios neurológicos e em indivíduos que permanecem isolados em prisões durante muito tempo. Movimentos repetitivos aparecem em situações em que o indivíduo não tem controle sobre seu ambiente, especialmente naquelas que são obviamente frustrantes, ameaçadoras ou severamente carentes de estímulo. Sua generalizada ocorrência em animais confinados é de grande importância em relação à avaliação do bem-estar. 

 Animais em geral também apresentam comportamentos estereotipados e automutilação em virtude de um ambiente pouco atrativo. O aumento do autodirecionamento (catação, lambedura, toque e coçar) em animais, serve como indicador de estresse e ansiedade. 

Os animais possuem necessidades físicas e psicológicas e podem desenvolver transtornos mentais em resposta à baixa qualidade de vida. Quando impedidos de executarem seus comportamentos naturais, os animais podem desenvolver prejuízos para sua saúde mental. 

Esses comportamentos, totalmente fora do contexto, podem tornar-se excessivos, ao ponto de lesionar a pele e causar debilidade nos animais. É um transtorno que possui tratamento com psicofármacos, terapia comportamental e enriquecimento do ambiente. 

 

Transtorno Obsessivo Compulsivo (TOC). Animais não-humanos. Comportamentos naturais.

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Escrito por Erika Zanoni Fagundes Cunha

Publicado em 2022-02-22

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