Desenvolvimento sexual, trauma e a sexualidade

Sabemos que a palavra trauma já traz suas restrições de fala e comportamento, bloqueando as possibilidades de novas sensações, devido a experiências emocionais desagradáveis que permanecem na mente do indivíduo, e a palavra sexualidade ainda é um tabu pelo manejo do tema e dos contextos culturais que vem tanto de um passado com poucas abordagens, quanto no presente com excesso de informações truncadas, e assim estamos nos desenvolvendo sexualmente com um certo desequilíbrio de informações das gerações.

Portanto, para se chegar em uma resposta de libido, correspondida e com prazer, há alguns obstáculos a serem ultrapassados, como o conhecimento da anatomia e fisiologia, o ciclo de desenvolvimento que a pessoa está, as transformações durante gestação e puerpério, a orientação sexual, os transtornos como a compulsão, os abusos, as infecções sexualmente transmissíveis, as disfunções, a lei, a religião, os psicofármacos, a mídia, a educação e a prevenção em saúde sexual. Temos um longo caminho a percorrer e temos aqui a oportunidade de desmistificarmos o tema e melhorar nossa saúde corporal e íntima.

As primeiras queixas são de ausência de libido e o não orgasmo, mas precisamos saber do porque somos seres sexuados. A natureza é sábia, através da descarga orgástica aliviamos o estresse, tiramos os nós da garganta e o aperto do coração. Durante a sensação de prazer sexual a dopamina é liberada, assim como em práticas de exercícios, meditação, quando nos alimentamos com algo apetitoso, a dopamina é o neurotransmissor responsável por levar informações para várias partes do corpo, e quando liberada provoca sensação de prazer e aumenta a motivação. Durante o processo de orgasmo acontece a dilatação dos poros, há liberação das toxinas do nosso corpo e por conseguinte aliviam as marcas de expressões, além da ocitocina liberada que promove a sensação de afeto e relaxamento, pois o contato sexual, a alegria, o amor, são condições favoráveis para liberação deste hormônio.

Como temos um objetivo, ter libido e chegar ao orgasmo, precisamos transformar uma meta de longo prazo em pequenas metas de curto prazo, promovemos um aumento de dopamina ao longo do caminho. O processo de desenvolvimento sexual dura a vida toda, pois cada pessoa é resultante da relação do que herdou e do que adquiriu; há programação, não determinação. Se você passa por alguma dificuldade sexual não está condenado e sim precisa se permitir conhecer mais a respeito dos processos que auxiliam a retomada do prazer.

Aqui neste espaço iniciamos um processo maravilhoso de autoestima e aprendizado ligado à sexualidade e aos relacionamentos humanos, tanto afetivos quanto sexuais. Não podemos esquecer que o cérebro é o principal agente da excitação, da estimulação, do comando químico, e responsável pelas respostas hormonais e fisiológicas, é a fonte de todo prazer. E também o causador de boa parte das dificuldades, tendo em vista a resposta do indivíduo à educação, à informação (ou falta dela), à pressão da sociedade, aos parâmetros morais de cada época e a um eventual envolvimento emocional, assim como uma resposta psicológica à própria formação de cada um. Justamente por isso, a educação e a informação, binômio definitivo na esfera sexual, são as ferramentas indicadas para superar não apenas a disfunção orgásmica e a anorgasmia, como outras tantas barreiras para uma vida afetiva, sexual e social adequada, válida e satisfatória.

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Escrito por Helen Machado Hampf

Publicado em 2021-09-15

Tags

Psicologia

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