Emoção, sentimento, medo, ansiedade e estresse nos animais

Animais são como os seres humanos, apresentam emoções e expressam o que estão sentindo através da musculatura facial, dos pelos, das penas e através do olhar. A emoção é um sinal quase instintivo, o sentimento é interpretação. Charles Darwin, pai da Teoria da Evolução, observou que os animais apresentam emoções como felicidade, surpresa e raiva.

O medo é uma sensação inata de desconforto quando um animal é confrontado com uma ameaça ao seu bem-estar ou à sua própria sobrevivência, a partir dele ocorrem respostas comportamentais diversas. Nessa situação o perigo é real e definido, o animal percebe que existe um risco a sua integridade física. Ansiedade é o medo infundado, não real e desproporcional. A ocorrência repetida do medo pode provocar uma reatividade neuroendócrina ou autonômica intensa e duradoura.

O estresse pode ser definido como um processo fisiológico, neuroendócrino, pelo qual passam os seres vivos quando enfrentam alguma mudança ambiental. As principais alterações comportamentais incluem aumento da agressividade e tendência ao isolamento. Animais cronicamente estressados podem apresentar reação exagerada do sistema nervoso simpático e elevação de pressão arterial, diminuição de insulina, aumento do risco de diabetes, predisposição a úlceras estomacais e duodenais, desequilíbrio do sistema imunológico e diminuição do interesse em buscar parceiros sexuais.

As principais reações de um animal, frente a um evento adverso, é de lutar (enfrentamento), fugir ou congelar. Essas reações são variáveis de acordo com a espécie, se é predador ou presa ou, ainda, variam de acordo com a personalidade animal. Charles Darwin, considerado o pai da neurociência afetiva, publicou em 1872 o seu trabalho de trinta e quatro anos de pesquisa no livro A expressão das emoções no homem e nos animais. Ele chegou a duas conclusões principais:  as emoções dos animais humanos e não humanos são análogas e as emoções básicas são semelhantes em várias espécies e culturas.

Existem as emoções básicas e as complexas, e estas estão relacionadas a vários fatores. O processamento emocional se dá por manifestações comportamentais, fisiológicas e cognitivas.

 

Comportamento

Quem diz que um animal é traiçoeiro é porque não tem conhecimento de linguagem não verbal. De uma maneira geral, o comportamento consiste em atitudes que o animal exibe. O comportamento é uma forma de comunicação do meio interior para o exterior.

 

Fisiopatológicos

O conjunto das respostas fisiológicas desencadeadas frente a um agente estressor é chamado de Síndrome Geral da Adaptação (SGA). Essa síndrome pode ser dividida em três estágios: fase de alarme, fase de adaptação e fase de exaustão ou esgotamento. A fase de alarme ocorre imediatamente após o perigo e há predominantemente uma resposta do sistema nervoso autônomo simpático, resultando na liberação de catecolaminas (adrenalina e noradrenalina).

Na fase de adaptação tem-se a liberação de glicocorticoides e a continuação das atividades do sistema nervoso autônomo. O estresse crônico provoca estimulação exagerada do simpático e predispõe à elevação de pressão arterial, diminuição de insulina, aumento do risco de diabetes; no estômago ocorre a diminuição da barreira de muco, desequilíbrio do sistema imunológico e diminuição da libido. A fase de exaustão é o período de falência orgânica.

 

Cognição

Aqui temos a atuação do córtex pré-frontal para a interpretação da emoção.  Existem polêmicas a respeito do processamento cognitivo emocional dos animais, mas sabe-se que os processos cognitivos e emocionais estão entrelaçados com relação à resolução de problemas. Animais estressados têm dificuldade de aprendizagem e de execução de tarefas simples do cotidiano.

 

Palavras chaves: emoção, sentimento, estresse.

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Escrito por Erika Zanoni Fagundes Cunha

Publicado em 2021-11-15

Tags

Psicologia

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