Esteja alerta: como identificar sinais imperceptíveis

O Setembro Amarelo se encerrou, mas isso não significa que devemos parar de falar sobre saúde mental. Muito pelo contrário, devemos abordar o assunto em todos os dias e meses do ano, pois quem sofre não escolhe um período do ano pra isso e o acolhimento a essas pessoas também não deve ser esporádico. 

Mas como saber que alguém está em sofrimento? Essa pessoa demonstra? É simples perceber os sinais? Afinal, existem sinais?

Essas perguntas são recorrentes e estão constantemente em debate. A pessoa em sofrimento apresenta, sim, sinais, porém muitas vezes esses sinais são difíceis de compreender ou até mesmo imperceptíveis.  Em muitas situações a própria pessoa em sofrimento não se compreende e tem dificuldade para expressar seus anseios, suas angústias e preocupações. 

A melhor forma de ajudar alguém em sofrimento é colocar-se à disposição! Pergunte se está tudo bem e esteja disponível para quando a pessoa precisar expressar seus sentimentos e emoções. Escute e acolha!

Além disso, esteja atento a mudanças sutis no comportamento, como alteração do apetite, do humor, desatenção, negligência consigo mesmo, chegando até a falta de autocuidado e frases como “não aguento mais", “quero desistir", “quero que isso acabe", entre outras.

Engana-se quem pensa que a pessoa em sofrimento vai sempre aparentar estar sofrendo. Não, essa pessoa pode ser a mais feliz e animada do seu círculo social, porém isso pode não passar de uma máscara, justamente porque a pessoa não sabe como pedir ajuda!

Ainda, existe um grande tabu na nossa sociedade de que “a pessoa que vai se matar apenas faz, sem avisar. Se ela avisa, ou tenta diversas vezes sem sucesso, é porque ela quer atenção”. Isso é um grande mito e preconceito da nossa sociedade, pois a pessoa com ideação suicida pode sim pedir ajuda, de diversas formas, antes de cometer o ato. É necessária atenção aos pequenos detalhes!

Outra pergunta frequente é: mas o que aconteceu pra ela estar assim? Sabe-se que o sofrimento não é algo isolado, ele pode sim ser decorrente de uma situação ou de um trauma específico mas, geralmente, é consequência de diversos fatores que culminam no extremo sofrimento, podendo chegar ao auge da pessoa tirar a própria vida. Esses fatores podem ser recentes, decorrentes de mudanças ou situações ocorridas em um período de curto prazo, ou podem ser decorrentes de situações ocorridas a longo prazo, desde a infância e adolescência, que são períodos-chave no desenvolvimento do ser humano. 

Vale ressaltar também que não é necessário que traumas expressivos aconteçam para que a pessoa sofra, ou seja, um acúmulo de pequenos traumas pode sim gerar sofrimento. Lembre-se: cada ser é único e possui sua singularidade, logo um acontecimento que afeta uma pessoa e gera sofrimento pode não afetar outra.

A campanha do Setembro Amarelo existe para trazer à tona um assunto delicado e necessário de ser discutido, assim como outras campanhas durante o ano, a exemplo do Janeiro Branco, Agosto Lilás, Outubro Rosa, Novembro Azul, entre outras. Porém, não se deve discutir esses temas apenas nos meses específicos, busque se informar e discutir essas temáticas durante todos os meses do ano, fazendo assim com que cada vez menos esses tabus existam na sociedade.

Por fim, é imprescindível dizer que a ajuda especializada é essencial, visto que os profissionais da Psicologia e da Psiquiatria têm a formação e as habilidades necessárias para o cuidado de pessoas em sofrimento mental. Sendo assim, procure e ofereça ajuda!


Palavras-chave: saúde mental; acolhimento; tabu; ideação suicida; ajuda especializada.

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Escrito por Lisielen Miranda Goulart e Luana Miranda Goulart (Unique)

Publicado em 2021-10-15

Tags

Psicologia

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