Adoecimentos frequentes, sentimentos de impotência, menos valia são sintomas de estresse

E a infância tem muito a ver com isso...

O Estresse é visto como algo ruim. Porém, ele é uma forma natural e automática de resposta do organismo, aos estímulos que precisam de atenção. 

Esportes radicais, em que o corpo se inunda de adrenalina, são buscados com frequência por quem gosta de fortes emoções. A sensação é viciante.

O cortisol tem pico todas as manhãs, nos dando energia para sair da cama. Precisa acontecer algo para nos tirar da imobilidade.

No entanto, se um estímulo desagradável surgiu do ambiente, os mesmos hormônios do estresse vão preparar o corpo para a ação - a resposta de defesa - para escapar dali ou enfrentar a ameaça, se possível.  O estresse entra em cena, buscando salvar nossa vida. 

Comportamentos involuntários do sistema nervoso, que toma as decisões necessárias e age rapidamente, muito antes do raciocínio lógico.

Então o estresse não é algo ruim, pois ativa a atenção e os recursos de autopreservação. O problema ocorre quando se fica preso num congelamento. 

É quando a sobrecarga trava o sistema. E essa é a base do trauma. Caso seja possível escapar ou se defender, o risco não causa danos, mas sem essas respostas, a tentativa extrema de se manter vivo é congelar.

Congelar é temporário até o sistema se equilibrar ou o risco passar. Porém, é uma energia que ficou presa e precisa ser descarregada rapidamente, senão se forma um núcleo traumático.

Imagine uma criança molestada ou espancada dentro de casa. Um evento recorrente do qual não consegue escapar. Fatalmente congelará muitas vezes para anestesiar sua dor e isso piora o trauma. Todo o seu corpo se defenderá pelo medo de acontecer de novo.

Então não é o evento que causa o trauma. Nem todos são influenciados da mesma maneira, numa mesma situação. Trauma é a resposta natural do organismo quando algo não natural lhe acontece.

De todas as espécies, o ser humano é a mais frágil quando nasce. Precisaríamos de dois anos de gestação para nos equiparar aos outros animais. Então a escolha biológica foi a de nascermos imaturos, sem o total desenvolvimento das sensibilidades e controle, totalmente dependentes do vínculo parental. Por conta dessa imaturidade, necessitamos do apego seguro para sobreviver.

Ao nascer, nossos neurônios fazem cerca de 1.000 sinapses por segundo para explorar o mundo novo. Portanto, estamos abertos e curiosos a tudo que vem de fora. Quando esse apego ou vínculo não se transforma na segurança necessária, o estresse ruim entra em cena.

E o que uma criança internaliza como estresse?

Sentir-se abandonada ou negligenciada, descuidos com sua saúde ou proteção, críticas que destroem a autoestima, maus tratos ou abusos físicos ou psicológicos. 

E como efeitos, é possível que essa criança desenvolva uma insegurança generalizada, fobias, dificuldades de aprendizado e socialização, impulsividade ou agressividade, doenças crônicas e uma crença persistente de que não é bem-vinda, que nasceu defeituosa ou que não merece nada de bom.

Grande parte desses desastres pessoais podem ser evitados ou reduzidos caso haja atenção primária na infância, a fase mais sensível da vida. A criança necessita:

Mas se nada disso foi possível na infância? Será que um destino de sofrimentos é a única coisa a se esperar? Claro que não. Vamos entender como funciona nosso cérebro:

Comportamentos não derivam só dos pensamentos, mas podem ser influenciados temporariamente por recursos motivacionais. 

As sensações e emoções que nos tiram a paz, provêm dos mais de 90% do cérebro que é inconsciente para nós, e que de fato nos governam.

Nessas estruturas emocionais, instintivas e não racionais, estão as respostas de como sair do trauma. Lá dentro não existe tempo, tudo existe no agora. E é por isso que ainda nos incomoda mesmo que a causa seja antiga. 

A boa notícia é que o trauma é tratável em qualquer idade, não importa quanto tempo passou. O que tirou nossa liberdade, pode ser curado. E a forma mais duradoura e rápida de cura é a oferecida por terapias que olham o corpo e a mente como um conjunto, a partir da fisiologia, ou seja, do sistema nervoso autônomo. Aquele que funciona independente de nossa vontade, e que acumula e classifica todas as experiências da vida, como agradáveis ou desagradáveis, de prazer ou de perigo, e vai criando os comportamentos apropriados a cada uma, sob a missão de preservar nossa integridade.

Existe luz no fim do túnel, que pode trazer paz e confiança na vida. Podemos restabelecer nosso poder de escolhas.

Reduzir e gerenciar o estresse é extremamente importante em todas as idades, e quanto mais cedo, melhor.

Estou disponível para ajudar nessa jornada. Conte comigo! 

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Escrito por Celso Paulo Martins

Publicado em 2021-09-15

Tags

Psicologia

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