Trauma X Odontologia

Segundo os dicionários, a palavra “trauma” pode ser definida como perturbações causadas por lesões físicas ou experiências emocionais desagradáveis que ficam marcadas na mente de um indivíduo. Especificamente o trauma dental é um problema que pode ter um impacto físico, estético e psicológico, não apenas na criança e adolescente, mas também na família, e, por causar sofrimento físico e emocional, pode ter interferência negativa sobre as relações sociais, com impacto inclusive na qualidade de vida. [Revista Odontol UNESP. 2017 Nov-Dec; 46(6): 351-356]

 

O trauma dental pode ser observado mais na Dentição Decídua (Dentição de Leite) quando comparada à Dentição Permanente, e ocorre mais na idade pré-escolar, podendo atingir em média 36,8 % das crianças. Nesta fase, as características comportamentais como: a curiosidade e a inquietação, que levam a criança a explorar o ambiente escolar; não possuindo ainda uma coordenação motora suficiente para evitar quedas e promover autoproteção, a ocorrência desse tipo de lesão torna-se frequente. [Revista Odontol UNESP. 2014 Nov.-Dec.; 43(6): 402-408]

 A ocorrência do trauma dentário em crianças se dá, principalmente, nas escolas (32%) ou na própria casa (38% dos casos), com maior incidência na idade de três anos e meio, acometendo os dentes superiores e anteriores, principalmente os incisivos centrais e superiores.

As consequências do trauma podem variar desde uma simples fratura até o deslocamento total do elemento dentário do alvéolo (avulsão), sendo este um dos eventos que provocam maior apreensão aos pais e aos acidentados, principalmente quando o dente envolvido é o permanente.

O atendimento emergencial para dentes traumatizados é fundamental para o sucesso do tratamento. A falta de preparo tanto da população como dos profissionais da área da saúde em lidar com o primeiro atendimento requer bastante atenção.

Quando uma criança sofre um traumatismo dental ela está vivendo uma situação inesperada, mas não somente ela, mas seus pais também, e eles, além de estarem assustados e com medo como acriança, estão ainda preocupados e se sentindo culpados. E quem deverá estar preparado para lidar com todo este contexto é o profissional que vai atender esta criança. 

Devido ao nível de envolvimento dos pais nos casos de traumatismos, o profissional muitas vezes além de estar preparado para realizar a parte técnica do atendimento e para fazer o condicionamento do paciente, deve ter sensibilidade para lidar com os sentimentos dos pais, pois o atendimento de uma criança que tenha sofrido um traumatismo dental vai muito além do exame intrabucal, porque envolve alterações de comportamento; portanto, um trauma em uma criança que envolva os dentes e a face não é traumatizante apenas no sentindo físico, mas também no sentindo emocional e psicológico. 

[TRAUMATISMO DENTAL EM CRIANÇAS/ INFLUENCIAS DO CONTEXTO EMOCIONAL E PSICOLOGICO DO TRAUMATISMO NO COMPORTAMENTO DO PROFISSIONAL - MARIANA PEROTTA - UFSC]

Apesar das sequelas emocionais serem as mais graves por serem as mais difíceis de definir e as que causam danos por um período de tempo indeterminado, elas são muito pouco estudadas, talvez porque os profissionais pensem que elas não têm importância, o que não é verdade, pois a medicina já comprovou que a mente é determinante no desenvolvimento e na cura de doenças; ou porque ou pesquisadores não tenham interesse neste campo e só na parte técnica, ou talvez porque não saibam como fazer ou o que fazer com o que constatarem.

Concluindo, o traumatismo na Dentição Decídua deixa sequelas físicas e emocionais. Enquanto as físicas são amplamente estudadas, as emocionais dificilmente são abordadas, por isso a necessidade de sempre olhar o paciente como um todo, não apenas um dente, um órgão, mas um ser humano que tem medos, sonhos, dificuldades e inseguranças. 

 

PALAVRAS-CHAVE:

Trauma dental. Criança e adolescente.

 

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Escrito por Cintia Baek

Publicado em 2021-09-15

Tags

Psicologia

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