Existe futuro no passado?

Você já se surpreendeu pensando em algo que te fez sofrer? 

Pergunta simples, não é? 

Neste mundo onde o caos existencial assola as diversas dimensões do existir humano, quem não esteve navegando entre ondas de acontecimentos sofríveis. Se você não esteve entre  esses, parabéns pelas estratégias de superações. 

Então, um dia desses  refleti profundamente sobre a declaração de Peter Levine, psicólogo americano que expressou:  “O ‘orgulho de sobrevivente’ é uma indicação de que o funcionamento saudável está tentando se afirmar”. 

Sim, isto é uma potente verdade. Somos seres capazes de funcionamento adaptável. Esta mobilização natural saudável pode ser produto de treinos,  aprendizagens e metamorfoses.  

Um futuro será inalcançável se a memória retiver vivências  negativas maestrando o presente. Uma mente onde existem experiências processadas nível de representações  traumáticas  pode apresentar ao sujeito uma percepção de mundo hostil e ameaçador. Abusos, violências e perturbações podem fomentar ciclos viciosos. 

Peres, o psicólogo e neurocientista, expressou afirmativamente que ”O que acontece dentro de nós é que vai criar o que acontece fora”. Isto é puríssima verdade. As experiências subjetivas podem  trazer ao sujeito uma dimensão perceptiva bem intimista do mundo exterior onde pensamentos, sentimentos e ações passam a ser vivenciados pelas marcas codificadas como verdadeiras. 

Como ser produtivo e criativo, feliz e virtuoso se o ser estiver infectado pelas mazelas prisioneiras da dor e dos desalentos? 

Bergr, 1963, declara também que “O passado é maleável e flexível, modifica-se com novas interpretações das recordações e reexplicações do que aconteceu”. 

Tudo depende de como o ser aspira lidar com esse passado. Um trabalho pessoal propicia formas de perceber  os episódios atribuindo compreensões e interpretações reelaboradas.   

Cada indivíduo dotado por suas potencialidades inatas ou adquiridas fortalecidas por seus dons, habilidade, talentos e visões de conquistas e sucessos pode mergulhar numa visualização de ultrapassagem.    

Forças individuais e coletivas emergem quando novas percepções de si, do outro e mundo aflora de um cérebro cuidado.  

Uma mente criativa e encorajada procura caminhar em direção às autodescobertas, exercitando-se a elevação de sua autoestima. Esta jornada pode desvendar mistérios e engajamentos em que o “eu”  entra em conexões com outros “eus”, produzindo resultados edificantes. 

Mente traumatizada é dirigida aos ditames irreais do mundo interno e externo que incutem fragilidade, culpa, medo, desprezo e autossabotagem ao sujeito. 

Um coração despertado ao desejo de liberdade e bem-estar é resultado de uma mente iluminada pelos raios de luz onde a sombra é anulada. 

A psicoterapia EMDR (Eye Movement Dessensitization and Reprocessing, que em português significa Dessensibilização e Reprocessamento através do Movimento dos Olhos) pode ser uma alternativa para o sujeito  ser curado de seus traumas e dores do passado. Este método possibilita ao sujeito uma dessensibilização e reprocessamento das lembranças dolorosas por meios de movimentos oculares onde imagens, pensamentos, sentimentos e emoções doloridas de conteúdos aprisionados na mente, cérebro e corpo são eliminados propiciando uma forma nova de funcionalidade e adaptação saudável . 

Desejo de liberdade pode denotar coragem a um querer revisitar o trauma. Exige-se confronto entre o eu presente e o eu passado. 

 A  percepção  poderá buscar significado nestas duas dimensões temporais, onde “eu  fui” e  “eu sou” funde-se rasgando a dor, a vitimização , o peso  e mentiras.  

Destravamento, desbloqueios e solturas emanam e crenças positivas raiam desvendando a essência do ser merecedor de luz, paz, vida e prosperidade.  Sonhos e idealizações  vestem-se e revestem-se de possíveis concretudes. 

O EMDR, por meio de seu singular processo de execução  nas redes neuronais, desempenha por forma eletroquímica uma transformação onde os conteúdos rememoráveis são experienciados, interpretados, ressignificados e a memória dolorosa esvai-se  cedendo espaço a memória adaptativa saudável de longo prazo. Onde o  passado perturbador retorna ao passado sem perturbação.  

Vamos trazer ao presente o que nos concede esperança. 

 

 

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Escrito por Débora Pereira do Nascimento

Publicado em 2021-09-15

Tags

Psicologia

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