Estou numa montanha-russa emocional...

Transtorno de Personalidade Borderline

No espaço do consultório muitas perguntas chegam sobre essa montanha-russa emocional: Por que ele agia de forma tão amorosa em um instante, para logo depois arrasar comigo? Por que ela me achava talentosa e maravilhosa, e logo depois me acusava de ser desprezível e a causa de todos os problemas dela? Se ele me amava tanto quanto dizia, por que eu me sentia manipulada e impotente? Como alguém tão inteligente e culto podia às vezes agir de forma tão completamente irracional? Você conhece alguém que está transbordando de felicidade e, em seguida, fecha a cara? Ou alguém que, sem dar chance para você compreender o que houve, demonstra raiva e irritação, se afastando? Por que fica descontrolada com uma pequena mudança de planos?

Que logaritmo é esse que tem tanta desregulação emocional? Vamos mergulhar em um Transtorno que vem a um bom tempo angustiando e deixando parentes e o próprio sujeito sem entender muito o que acontece. O Transtorno de Personalidade Borderline.

 

O que, afinal, gera o Transtorno de Personalidade Borderline - TPB? 

 

A maioria das pessoas desconhece as manifestações reais do problema. A imagem que associa sobre o assunto de alguém extremista, dramático, manipulador com pulsos cortados e ameaçando suicídio.  A falta de conhecimento para com as pessoas que sofrem desse transtorno tende a que sejam mal compreendidas ou não são motivadas a buscarem apoio profissional.

Não há resposta simples para essa pergunta. Existe um intenso debate em andamento sobre os fatores que podem contribuir para a manifestação dos sintomas do Transtorno de Personalidade Borderline (TPB).

Muitas pesquisas estão sendo conduzidas sob diversas óticas, nos estudos sobre a etiologia TPB, sugerindo uma etiologia multifatorial de forma consistente que as histórias de trauma e negligência não estão presentes em todos os pacientes borderline.  Esses fatores diferentes sugerem que há múltiplos fatores que podem contribuir com o transtorno. 

Zanarini e Frankenburg (1997) postularam três fatores abrangentes. Um deles é o ambiente doméstico traumático e caótico, envolvendo separações precoces prolongadas, negligência, desarmonia emocional na família, insensibilidade aos sentimentos e às necessidades da criança e trauma em graus variados. O segundo é um temperamento vulnerável com base biológica. O terceiro fator está relacionado aos eventos desencadeadores, como a tentativa de estabelecer uma relação íntima, sair de casa ou experienciar um estupro ou outro evento traumático, sendo que qualquer um deles pode agir como um catalisador para produzir a sintomatologia da condição borderline. Certos tipos de temperamento com base genética podem aumentar a probabilidade de que ocorram eventos negativos na vida, de modo que há um efeito interativo em andamento entre os genes e o ambiente no desenvolvimento do TPB (Paris, 1998). Uma conclusão é que cada paciente borderline pode ter uma trajetória etiológica única envolvendo diferentes graus de cada um dos fatores etiológicos.

 

Não é fácil chegar até esse diagnóstico. Com um tratamento mais moderno e adequado, indivíduos diagnosticados têm apresentado uma qualidade de vida melhorada.

O tratamento é realizado com o uso de medicamentos indicados pelo médico psiquiatra e psicoterapia, que ajuda o indivíduo a controlar suas emoções negativas e em como saber enfrentar momentos de maior estresse. 

Muitos fatores afetam o tempo necessário para que os sintomas melhorem, uma vez que o tratamento comece. Por isso é importante que as pessoas com o transtorno e seus entes queridos sejam pacientes e recebam suporte apropriado durante o tratamento.  

Um forte abraço a todos, até o próximo texto….

 

Transtorno de Personalidade Borderline. Etiologia Multifatorial. Genética. Desregulação emocional. Tratamento. Familiares.

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Escrito por Simone Souza

Publicado em 2021-08-18

Tags

Psicologia

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