A Violência Doméstica e familiar contra a mulher e os seus efeitos

Todos os dias milhares de mulheres são vítimas de violência no Brasil, em destaque a violência doméstica e familiar e ela acontece de diversas formas. Para quem passa por situações de violência como essas, identificar e buscar ajuda torna-se uma tarefa difícil, visto que o agressor é alguém do seu convívio doméstico e/ou familiar e existe uma relação de afeto. E, às vezes, é ainda mais difícil conseguir superar esses traumas e recuperar a autoestima.

Lei Maria da Penha, que foi sancionada em 7 de agosto de 2006, criou mecanismos para prevenir e coibir a violência doméstica e familiar contra a mulher, sendo assim todas as pessoas que se identificam com o sexo feminino, ou seja, heterossexuais, homossexuais e transexuais têm a proteção da Lei. E a Lei contempla vítimas em situação de vulnerabilidade em relação ao agressor, seja ele companheiro (a), pai, irmão, tio, filha ou qualquer pessoa que esteja em seu convívio doméstico e/ou familiar.

 A Lei também estabelece os 05 tipos de violência, que são: a violência física, sendo essa a mais fácil de ser identificada, a qual envolve o uso de força ou instrumentos que possam causar lesões físicas; a violência sexual, sendo a mulher forçada há ter uma relação não desejada por meio de força ou também quando a vítima é impedida de usar métodos contraceptivos; a patrimonial, que é a destruição dos bens ou posse de documentos pessoais da vítima; a moral, que é todo comportamento de calúnia e difamação; e a mais difícil de ser identificada e denunciada, que é a violência psicológica, que se trata de toda e qualquer ação de cause diminuição da autoestima, cause danos emocional ou que vise degradar ou controlar suas ações, comportamentos, crenças e decisões.

E, apesar de parecer fácil de identificar para quem vê toda essa situação de fora, nem sempre é simples para a pessoa em situação de violência identificar e buscar ajuda. Apesar da violência doméstica ter várias faces e peculiaridades, estudos apontam que as agressões cometidas dentro do contexto da violência doméstica e familiar ocorrem em um ciclo que é constantemente repetido e que se divide em três partes, sendo elas: a fase da tensão, que é quando ocorrem os primeiros sinais da tensão do relacionamento, onde o agressor já demonstra irritação e alguns sinais de agressividade; logo em seguida ocorre a fase da explosão, onde as práticas de violência realmente ocorrem, toda a tensão acumulada na fase da tensão se materializa em violência verbal, física, psicológica, moral ou patrimonial; e logo em seguida ocorre a fase da lua de mel, a qual pode ser identificada como a fase do arrependimento, sendo um período relativamente calmo. Acontece que muitas vezes esse ciclo se repete, o que torna cada vez mais difícil buscar ajuda. Com o tempo, os intervalos entre uma fase e outra ficam menores, e as agressões passam a serem feitas sem obedecer à ordem das fases. Em alguns casos, o ciclo da violência termina com o feminicídio.

As mulheres que sofrem violência não falam sobre o problema por um misto de sentimentos: vergonha, medo, constrangimento. Os agressores, por sua vez, constroem uma autoimagem de parceiros perfeitos e bons pais, bons familiares, como também a relação de afeto e vínculo afetivo dificulta a revelação da violência sofrida.

A violência doméstica pode causar sofrimentos que afetam a vida social e íntima da mulher, gerando traumas que muitas vezes são difíceis de serem superados, podendo causar sofrimentos que afetam o funcionamento cognitivo, a saúde física e as relações interpessoais. Depois de uma experiência de violência, algumas pessoas acabam se vitimizando e se isolando, ou se culpando por terem se colocado em tal situação.  Por conta disso é necessário buscar ajuda, seja de familiares, de amigos; buscar uma rede de apoio; procurar ajuda profissional para conseguir encerrar o ciclo de violência e superar este trauma.

Procure ajuda, você não está sozinha!!

Violência doméstica. Mulher. Violência psicológica.

BRASIL. Lei no 11.340, de 7 de Agosto de 2006. Lei Maria da Penha. Disponível em: <http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2019-2022/2019/lei/L13827.htm>.

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Escrito por Bruna Balsano

Publicado em 2021-08-18

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Psicologia

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