Transtorno do Estresse Pós Traumática em Animais

Atualmente, numa visão mais abrangente, os animais são considerados seres sencientes, ou seja, capazes de perceber e sentir emoções, tais como: raiva, medo, alegria e compaixão. A exposição a eventos estressantes poderá resultar no desenvolvimento de transtornos psiquiátricos, como ocorre com seres humanos.

O Transtorno do Estresse Pós-Trauma (TEPT) é um transtorno de ansiedade precipitado por um trauma e este representa a experiência de situações emocionalmente dolorosas e angustiantes, que sobrecarregam a capacidade de adaptação ou enfrentamento de um animal, e sobre as quais é impotente. Há uma urgência em se a reconhecer a importância do diagnóstico do transtorno de estresse pós-traumática (TEPT) em animais já que estes possuem uma alta prevalência de exposição a eventos traumáticos, tais como acidentes, abuso, tráfico e violência física.

Os primeiros relatos de animais utilizando a nomenclatura de TEPT são de cães que atuaram em guerra. Esses animais apresentavam os mesmos sinais clínicos e alterações de comportamento, como os observados em veteranos.

Os estudos clínicos mostraram que o estresse precoce está relacionado ao desenvolvimento de psicopatologia durante a vida adulta, uma vez que o sistema nervoso desse filhote poderá se desenvolver com alterações. Experimentos em etologia realizados com Rhesus (Macaca mulata) causaram lesões neurais, tais como as que são observadas em crianças vítimas de abandono pelos pais. Aqueles estudos pré-clínicos realizados no passado, com modelos animais com privação maternal, provocaram o estresse pós-trauma em primatas não humanos e estes apresentaram sinais ansiosos para a vida toda.

Para receber um diagnóstico de TEPT, o indivíduo deve vivenciar um evento traumático que produza sentimentos de medo intenso, horror ou impotência. Uma vez que esse critério seja atendido, os indivíduos devem ultrapassar um limiar de sinais para cada um dos três grupos de sinais clínicos: reestimulação, evitação e hiperexcitabilidade.

No Transtorno de Estresse Pós-Traumático também podem aparecer alterações cognitivas, principalmente relacionadas à memória. Os momentos vividos podem aparecer durante o sono ou pensamentos. Verificou-se em pesquisas com animais que as memórias emocionais fixam mais fortemente que as neutras. Além disso, constatou-se que o valor adaptativo é uma resposta revivendo o trauma. Por exemplo, quando acuado, um animal se recordaria de outras vezes em que foi ameaçado e das estratégias de defesa que utilizou com sucesso.

O tratamento deste transtorno de estresse pós traumático se dá por meio de psicofármacos, terapia comportamental e manejo do ambiente (o médico veterinário psiquiatra que realiza esse tratamento). Vários petiscos, interação com estranhos e a lenta reintrodução aos locais que lembram o trauma ajudam a moldar novas respostas comportamentais.

Há uma necessidade de maior número de estudos para se conhecer os mecanismos que envolvem essa psicopatologia e as consequências do transtorno do Estresse Pós-Trauma em animais. Trata-se de um processo de sofrimento para o animal, para a família multiespécie e para a equipe de médicos que atuam no tratamento das diversas comorbidades que resultam desse processo de estresse crônico. A psiquiatria animal deve ser mais divulgada entre os clínicos e tutores de animais.

 

Transtorno do Estresse Pós-Traumático. Animais. Tratamento.

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Escrito por Erika Zanoni Fagundes Cunha

Publicado em 2021-08-18

Tags

Psicologia

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