NATUREZA ... como fonte de cura

Você vive outro tipo de realidade quando cresce lá fora, no meio da floresta, ao lado dos pequenos esquilos e das grandes corujas. Todas essas coisas  ao seu redor como presenças, representam forças, poderes e possibilidades mágicas de vida que, embora não sejam suas, fazem parte da vida e lhe franqueiam o caminho da vida. Então você descobre tudo isso ecoando em você, porque você é também natureza. (Curtis, E. A lagoa-apache, 1868-1952).

 

É essa mesma natureza que acompanha o homem desde os primórdios da História e tem sido a ferramenta disponível na busca pelo alívio de seus males físicos e também emocionais. Inserido nesse contexto, encontramos xamãs, feiticeiros, pajés, curandeiros que tinham o mesmo propósito: curar enfermidades físicas e mentais. E no seu arcabouço terapêutico tradicional algumas etnias indígenas, como yanomamis,  usam roupagens místicas com “encantamentos” para  limpar um sítio antes da instalação de uma aldeia,  trazer alívio a doenças provocadas por maus espíritos  ou outras provocadas por reversões no equilíbrio do cosmos, epidemias que chegam através da fumaça das queimadas  dos brancos onde espíritos canibais devoram a energia vital das pessoas adoecendo-as fisicamente ou causando descompensações psíquicas.  Sem ter o mínimo conhecimento sobre neurolinguística alguns povos indígenas, através de seus pajés, tentam afastar as enfermidades que imaginam serem causadas por “espíritos maus” através de diretivas de injúria e vingança enviadas a esses inimigos intrusos, que desejam devorar principalmente as almas das crianças, como seu “manjar predileto”.

Transitando por  inusitadas sugestões, de recomendações ligadas à ambivalência,  alguns pajés usam suas benzeduras para alguns que se encontram em “estados tabu”, como  recém-nascidos, , rapazes em suas cerimônias de iniciação, mulheres durante a menstruação e  pós-parto, já que nesses estados pode haver  “provocações espirituais”  e despertar neles conflitos e desejos proibidos. Somente os benzimentos poderão diminuir esses sintomas obsessivos e fazê-los resistir a essas tentações.

O uso de plantas que alteram o estado de consciência é tão antigo quanto a própria civilização. Os primeiros registros da ayahuasca envolvem indígenas que habitam a floresta amazônica, onde a utilizam para fins mágico-religiosos e terapêuticos. Cientificamente chamada  Banisteriopisis caapi, seus cipós são ricos em beta carbolinas: harmina, harmalina, e tetra-hidroarmina, as quais são inibidoras da IMAO (classe de fármacos usados no tratamento da  depressão) , preferencialmente a IMAO-A e por isso são capazes de aumentar os níveis de serotonina na fenda sináptica, que semelhantes à serotonina  promovem efeitos sedativos primários quando usadas por via oral. Segundo alguns autores, devido à sua composição fitoquímica, é plausível que a ayahuasca tenha efeitos antidepressivos ou ansiolíticos

Uso de plantas. Arcabouço terapêutico. Floresta amazônica. Pajés. Ayahuasca

 

 

TELLES, T,B.S. O potencial terapêutico da Ayashuasca na doença mental. Revista Cientifica Multidisciplinar, Ano 1, Ed.01, vol. 12, p.41-58, 2016.

VIDILLE, W. Práticas terapêuticas entre indígenas do Alto Rio Negro: reflexões teóricas. Dissertação (Mestrado em Psicologia Clínica). Universidade de São Paulo. São Paulo, 2005. 

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Escrito por Dionezine de Fátima Navarro

Publicado em 2021-08-18

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Psicologia

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