Arma poderosa

 

Todos nós carregamos conosco uma poderosa arma: a nossa língua. Ela pode ser mortal ou salvadora, quiçá sempre essa última. É certo que ela é apenas o veículo das nossas crenças, mas é a partir dela que os pensamentos deixam o mundo das ideias para nunca mais voltar. Você com certeza já ouviu a expressão “a palavra dita nunca será apagada” e como isso é real, quem falou talvez esqueça, mas quem ouviu poderá nunca esquecer.

Palavras podem criar feridas tão profundas e dolorosas quanto um trauma físico. Se a pessoa que escuta não está bem ou não tem capacidade de argumentar e contra atacar os pensamentos gerados de uma fala mal colocada, pode adoecer ou tornar aquilo como verdade, trazendo sofrimento, crenças limitantes, ansiedade, depressão e até ideias suicidas. O contrário também é verdadeiro, quando você usa sua comunicação com empatia, respeito e motivação, pode auxiliar alguém a se curar, ser uma pessoa melhor e multiplicar a compaixão.

Muitos chamam isso de toxicidade, pois aquilo que é tóxico faz mal, contagia e tem consequências. Pessoas tóxicas estão em todos os lugares, nos mais diferentes graus de relacionamento. Normalmente não temos problemas para lidar com pessoas que não são próximas, quando ouvimos logo respondemos. “Como assim? Quem é essa pessoa para falar algo sobre mim ou minha vida?” No entanto, a toxicidade pode vir, e mais frequentemente vem, daqueles que são próximos, que nos são caros, e é aí que mora o maior problema. “Se ele(a) está dizendo é porque deve ser verdade...”

— “Nossa como você está gorda/magra!”

— “Você não é bom o suficiente para esse emprego.” 

— “Que dó, ficou cheia de marcas da gravidez...”

— “Não quer ter filhos? Você está louca?!”

— “Três filhos? Nossa que coragem...”

Apenas alguns exemplos, fala simples que parecem não ter importância, mas tem! Talvez essa mulher nunca mais use um biquíni ou não consiga se olhar no espelho sem que a frase ressoe em seus pensamentos. Talvez alguém perca a oportunidade de ser feliz em um trabalho. Talvez famílias sejam criadas e destruídas por tentarem seguir um padrão que a sociedade impõe.

Quando foi que legitimamos a ideia que podemos/devemos opinar sobre as escolhas alheias, sobre outras vidas que não as nossas?

Não sejamos essas pessoas, não aceitemos essas pessoas, estejamos alertas! Cada um sabe a dor e a delícia de ser quem é. 

Se não for para edificar, não fale!

Se não for para motivar, não fale!

Se não for para agregar, não fale!

Se a pessoa não pediu, não fale!

Sejamos empáticos, respeitosos e atóxicos.

E se você não é o que falaram, não absorva, apenas se afaste e seja gentil consigo mesmo, acredite em você. Se precisar peça ajuda e procure ressignificar suas crenças, talvez elas não sejam tão suas assim... Autoconhecimento e auto compaixão curam, a você e aos que te rodeiam.

 

Palavras-chave: toxicidade; comunicação; empatia; trauma.

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Escrito por Lisielen Miranda Goulart e Luana Miranda Goulart (Unique)

Publicado em 2022-04-20

Tags

Psicologia

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